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Como fazer seu dinheiro render até o fim do mês? Confira 8 dicas

Não é fácil ter o controle das finanças e fazer o dinheiro render o mês todo. Um levantamento feito em todas as capitais pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) revelou que 48% dos entrevistados não controlam o seu orçamento.

O economista e planejador financeiro Fábio Louzada, CEO do grupo Eu Me Banco, avalia que o impacto das finanças desorganizadas e acúmulo de dívidas podem atingir também outros fatores da vida, como o desempenho profissional e relações pessoais, por exemplo.

“A parte financeira acaba entrando em todos os aspectos da nossa vida, por isso, é preciso organização. Acredito que a educação financeira deveria fazer parte da grade curricular das escolas”, defende Louzada.

Rafael Vianna, head da mesa de alocação private e sócio da BRA, explica que uma vida financeira organizada permite conseguir conquistar mais sonhos, podendo ter mais facilidade de atingir seus objetivos. E que, para isso, o controle das receitas, despesas, das finanças é fundamental para que o salário possa durar o decorrer de todo o mês, cobrindo todas as obrigações e necessidades financeiras.

Como fazer o dinheiro render até o fim do mês?

Se o que você ganha mensalmente não é suficiente ou não tem rendido até o final do mês, é preciso parar para entender e analisar os motivos. Economizar e gastar menos do que se ganha costumam ser as principais dicas quando se fala em fazer o dinheiro render.

São ações fundamentais, mas não as únicas. Tão importante quanto ter consciência do limite de gastos que a sua renda impõe, também é interessante fazer esse dinheiro render e trazer o maior retorno possível.

Como fazer o dinheiro render mais que a inflação?

A inflação é o aumento generalizado e contínuo dos preços e representa a perda do poder de compra do dinheiro. Ou seja, quando a inflação está em alta, com uma quantia de dinheiro que se tinha no passado não se consegue comprar atualmente, por exemplo, a mesma quantidade de um determinado produto que se conseguia anteriormente.

Por isso, quando se fala em fazer o dinheiro render, também é importante estar atento à inflação e conseguir fazer investimentos que possam garantir a manutenção do seu poder de compra. Diversas são as opções de investimentos disponíveis atualmente que podem fazer com que o seu dinheiro renda mais que a inflação, seja na renda fixa ou variável.

De acordo com os especialistas ouvidos pelo InvestNews, não existe um único investimento que seja o melhor para isso, mas, sim, o ideal para cada investidor. A primeira coisa a ser feita antes de investir é identificar seu perfil de investidor e o quanto está disposto ao risco. Além disso, é importante ter bem definido a sua disponibilidade financeira para investir e por quanto tempo consegue deixar o dinheiro investido.

“Tem diversos ativos. É preciso entender a reserva de emergência e o perfil de investidor que a pessoa tem e quais são os objetivos, pois, dificilmente, uma reserva de curto prazo vai conseguir ganhar da inflação. Agora um objetivo mais de longo prazo tem diversos ativos que, inclusive, pagam inflação mais uma taxa. Tem que mensurar risco, retorno e liquidez” explica Louzada.

Com isso definido, é importante se informar e estudar para conhecer as opções de investimentos que possam ser as mais adequadas para você.

Entre algumas opções, estão:

Tesouro IPCA

Investir no Tesouro Direto é como se você fizesse um empréstimo para o Governo Federal poder fazer investimentos no país. Em contrapartida, o investidor recebe o dinheiro emprestado de volta, em uma data previamente definida, corrigido com o acréscimo de um percentual de juros também combinado com antecedência, sendo esta a forma do rendimento desta aplicação financeira.

São disponibilizados aos investidores títulos prefixados, pós-fixados indexados à inflação e pós-fixados indexados à taxa Selic. Uma opção para se proteger da inflação e fazer com que o dinheiro renda mais do que ela são os títulos públicos do Tesouro Direto atrelados ao IPCA. Eles rendem a variação da inflação no período investido mais uma taxa de juros previamente definida no momento em que se faz a aplicação.

LCIs e LCAs

Letra de Crédito Imobiliário (LCI) e a Letra de Crédito do Agronegócio (LCA) são títulos de renda fixa emitidos por bancos. O primeiro, para atividades do setor imobiliário. O segundo é destinado ao setor de agronegócio.

Esta modalidade de investimento é protegida pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), o que assegura até R$ 250 mil por instituição financeira e CPF  (até a soma de R$ 1 milhão por 4 anos). Ou seja, o investidor não sofre prejuízos financeiros, se tiver até este valor investido, caso a instituição emissora do título vai à falência ou que, por algum motivo, não consiga pagar o rendimento que foi combinado.

Alguns destes títulos estão relacionados ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e ao Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M). Para o investidor que deseja preservar o poder de compra do seu dinheiro no longo prazo, as LCIs e LCAs atreladas à inflação podem ser uma opção.

CDB

CDB significa Certificado de Depósito Bancário. Ao comprar um CDB, o investidor estará aplicando o seu dinheiro em uma instituição bancária, que vai utilizar o valor para custear suas atividades consideradas fins, ou seja, para empréstimos e financiamentos, por exemplo. É como se fosse um empréstimo que você faz a um banco. Em troca, estes títulos oferecem aos investidores uma remuneração em juros por um certo período de tempo.

No  caso do CDB atrelado à inflação, a remuneração mescla as duas estruturas. Ou seja, ele retorna uma parcela prefixada e outra pós-fixada (variação da inflação, medida pelo IPCA ou pelo IGP-M). Assim, se a inflação aumentar, o retorno aumenta. Se cair, o retorno cai, preservando o poder de compra do valor investido.

Bolsa de Valores

Pensando em investimento no longo prazo, a bolsa de valores (B3) pode ser mais uma opção para fazer o dinheiro render acima da inflação.

Seja por meio da compra de ações, ETFs, BDRsfundos imobiliários (FIIs), por exemplo, a valorização das cotações dos ativos e os proventos recebidos (dividendos e Juros sobre Capital Próprio) ao longo dos anos podem tornar seus investimentos mais rentáveis.

Antes de fazer investimentos em bolsa de valores é necessário, no entanto, entender o seu perfil de investidor e o quanto está disposto ao risco e focar em uma estratégia de longo prazo.

8 dicas de como fazer o dinheiro render o mês todo

Algumas dicas podem colaborar para fazer com que o dinheiro possa render até o final do mês. Confira algumas delas:

1 – Anote despesas

É fundamental que se tenha um controle do que está saindo do seu bolso. Para isso, anotar é importante, pois é possível ter bem definido o quanto se está gastando. Apesar de, para algumas pessoas, ser considerado difícil e trabalhoso, ao poucos, essa rotina acaba se tornando um hábito e algo necessário para as finanças.

Com os gastos anotados, fica mais fácil perceber possíveis despesas desnecessárias, o quanto ainda tem disponível ou até mesmo fazer uma definição de prioridades para o uso do seu dinheiro.

Para quem não tem o hábito deste controle, inicialmente, é recomendável anotar todos os gatos, desde aluguel até o café no horário do almoço. Com o passar do tempo,  este controle pode ser flexibilizado aos poucos, a partir do momento que já se tenha o conhecimento do quanto cada despesa consome, de forma geral, da sua renda mensalmente.

2 – Faça um planejamento financeiro

Ele permitirá ter um bom controle do dinheiro, evitando dívidas e gastos desnecessários, além de auxiliar nas metas para as finanças pessoais. Quando bem preparado e completo, facilita a administração do dinheiro, ajudando eliminar ou reduzir gastos, proporcionando economia e diminuindo chances de descontrole financeiro e endividamento.

De forma geral, um planejamento financeiro deve ter a realidade das suas finanças, definição de despesas, receitas, objetivos, prioridades, bem como uma parcela destinada para reserva de emergência e para investimentos. A partir daí, basta fazer um acompanhamento com frequência, registrando todos os valores de receitas e despesas e fazendo os ajustes necessários para que tudo caiba dentro do orçamento que se tem.

3 – Cuidado com o cartão de crédito

O uso do cartão de crédito precisa ser avaliado com muito cuidado. Afinal, ele pode passar de mocinho a vilão nas nossas vidas financeiras.

Caso a pessoa tenha um consumo exagerado no cartão, é recomendável evitar o uso dele, afinal, o cartão posterga a dívida para o mês seguinte e a pessoa precisa ter um controle desse dinheiro disponível para conseguir pagar sua fatura.

Além disso, o cartão de crédito não pode ser usado como fonte de renda, ou seja, a pessoa acabar levando em conta o limite do cartão que possui como se fosse uma extensão da sua renda mensal.  Aí mora um grande perigo, pois corre o risco de não se ter dinheiro para fazer o pagamento da fatura, já que acabou consumindo mais do que se ganha, entrando no crédito rotativo e com juros altos.

Por outro lado, para uma pessoa organizada com as finanças e com uma renda mais elevada, o cartão pode oferecer bonificações interessantes. Lembrando sempre de utilizá-lo de forma muito bem organizada, consciente e dentro da capacidade financeira que se tem.

4 – Separe e defina os gastos fixos

É importante ter atenção redobrada com as despesas, principalmente com os gastos fixos, que são aquelas contas que precisam ser pagas todos os meses como aluguel, financiamento, condomínio, mensalidade escolar, por exemplo, já que são mais difíceis de remanejar.

Com todas essas despesas definidas, é mais fácil ter um controle financeiro de todos os principais gastos mensais e conseguir avaliar, por exemplo, o quanto que sobra no final do mês para investir e gastar com lazer.

5 – Faça renda extra

Trata-se de fazer um outro trabalho além do principal que se tem. É uma alternativa para quem deseja melhorar ou potencializar sua situação financeira, seja para organizar as finanças ou alcançar seus objetivos que envolvam dinheiro de forma mais rápida.

Diversas podem ser as opções, desde venda de alimentos, produtos em geral, locação do seu veículo, quarto ou imóvel que possua. O importante é identificar aquela opção que você já tenha alguma disponibilidade, habilidade, ou se identifica, e que enxergue potencial. Sempre é válido pesquisar antes o mercado, se preparar e estudar para poder ter bons retornos.

6 – Tenha reserva de emergência

Como o próprio nome diz, ela é fundamental para momentos e situações que possam acontecer nas nossas vidas sem esperarmos e que dependam de uma despesa financeira, seja por motivos de saúde, perda de emprego, um problema que possa acontecer em casa ou qualquer outro imprevisto que possa surgir.

Especialistas recomendam que a reserva de emergência deve ser de seis a 12 meses das despesas mensais. Quanto mais instável for sua renda, como, por exemplo, um empreendedor ou autônomo, maior o tempo de reserva. Já no caso de um funcionário público, que tem uma renda mais estável, seis meses de reserva de emergência já são válidos.

7 – Economize

É fundamental, mas nem sempre é fácil. Para isso, é importante ter bem definidos quais são todos os seus gastos e receitas. A partir daí, é válido observar onde estão acontecendo gastos supérfluos ou mal feitos. Para conseguir economizar dinheiro, vale a pena se atentar também aos gastos por impulsos e desnecessários.

Outra dica é trazer a educação financeira para a sua rotina. Afinal, quando uma pessoa está organizada financeiramente, muitos problemas financeiros são minimizados.

8 – Invista uma porcentagem do seu salário

Investir bem é a melhor forma de fazer o dinheiro render mais para o seu patrimônio crescer e se manter em expansão.

Uma das formas de fazer o dinheiro render é investindo, afinal, nada melhor do que ver crescer a reserva financeira que você tem. Claro que, quanto mais você investir do seu salário, melhor, mas nem todos têm essa possibilidade.

Especialistas ouvidos pelo InvestNews apontam que é interessante a pessoa se programar para conseguir investir, em média, de 10% a 20% do seu salário, desde que esteja dentro do seu planejamento financeiro e não comprometa as contas e finanças.

Com essa porcentagem separada para investir, não existe o melhor investimento para todos. É interessante que a pessoa tenha bem definido seu perfil de investidor, o quanto e por quanto tempo tem para investir e seus objetivos. A partir daí, é buscar produtos financeiros que se encaixem dentro da sua estratégia, podendo ser desde os de renda fixa, para os perfis mais conservador, até a renda variável, para os perfis mais arrojados.

Os especialistas também recomendam, além dos investimentos tradicionais, que se faça investimentos em educação, ou seja, em cursos, graduações, especializações, por exemplo, que possam aprimorar conhecimentos e possibilitar oportunidades profissionais e salariais melhores.

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