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Demissão de Guedes não deve passar de mais um rumor, dizem analistas

Os rumores de um possível pedido de demissão do ministro da Economia, Paulo Guedes, entraram no radar do mercado financeiro nesta sexta-feira (22) em mais um dia de fortes perdas para a bolsa de valores e subida do dólar. No entanto, analistas ouvidos pelo InvestNews não acreditam que o ministro irá deixar o cargo.

Na quinta-feira (22), o mercado já havia recebido mal a notícia da saída de nomes importantes do ministério da Economia. Em meio a uma escalada das preocupações com a situação fiscal, com o governo de Jair Bolsonaro propondo furar o teto de gastos para acomodar o Auxílio Brasil, o secretário especial do Tesouro e Orçamento, Bruno Funchal, e secretário do Tesouro Nacional, Jeferson Bittencourt, entregaram seus cargos.

Nesta sexta, o jornal Correio Brasiliense informou, citando fontes, que Guedes pediu demissão do cargo a Jair Bolsonaro, acrescentando que o presidente tenta convencê-lo a ficar. Segundo o portal G1, Bolsonaro autorizou sondagem de um nome para substituir Guedes, mesmo após ter reafirmado na véspera que manterá o atual ministro no cargo.

O economista-chefe da Infinity Asset, Jason Vieira, afirma que os rumores sobre uma saída de Guedes do governo agora são “fake” que “ganhou corpo”. “Surgiu antes nos grupos, antes de que qualquer site ou jornal”, disse ao InvestNews.

André Perfeito, economista-chefe da Necton, também diz que “não deve sair o Guedes”. “Sabe aquela história do menino e do lobo? Então. Toda hora falam que ele vai sair. Prefiro esperar”, disse à reportagem.

Felipe Berenguer, analista político da Levante Ideias de Investimentos, diz: “a princípio, a gente trabalha com a tendência de ele continuar no cargo até a segunda ordem, principalmente pelo respaldo do presidente. Todo esse movimento para tentar segurar ele no cargo, e acho que isso deve acontecer.”

Berenguer destaca os rumores que tiveram início na noite da quinta-feira. “Começou a haver alguns ruídos bem fortes sobre a saída dele. Gente ligada a ele, gente de mercado, gente mais próxima em Brasília falando para ele não manchar sua imagem. Ontem mesmo, depois da demissão dos quatro secretários que eram bastante importantes para o seu ministério, ele teria conversado com Bolsonaro e a conversa teria sido dura e, portanto, ficou um ambiente um pouco insustentável e o Guedes meio que deixou o cargo à disposição.”

“Hoje de manhã o Guedes foi tomar vacina. Possivelmente não estava com a cabeça muito ligada nisso, mas também pode significar que ele já tinha tomado alguma decisão”, diz o analista.

João Beck, economista e sócio da BRA, comenta que “ao longo da negociação do rompimento do teto de gastos, é muito provável que o Guedes tenha colocado na mesa, sim, o cargo dele em jogo como forma de negociar”.

No entanto, ele aponta que agora, “ele perdeu”, e a dúvida é sobre o que pode acontecer. “Já tiveram alguns pronunciamentos do próprio presidente de que ele não vai sair. Mas por que está crescendo a especulação no mercado? Porque não teve até o momento nenhuma sinalização dele, do próprio Paulo Guedes, ainda”, diz Beck.

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