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Do bitcoin ao dogecoin, conheça as 7 maiores criptomoedas do momento

O mundo dos criptoativos tem se popularizado e passou a ser enxergado como meio de pagamento e por investidores como ativo para gerar ganhos. Prova disso é o bitcoin, a maior moeda digital em capitalização de mercado e que, desde sua criação em 2008, teve um salto de 1.212.666%, segundo levantamento feito pela UseCripto para o InvestNews.

Hoje a moeda já é aceita como forma de pagamento por algumas empresas. A Tesla anunciou em março que a admitiria como forma de pagamento pelos carros da montadora. Recentemente, o Mercado Livre também comunicou que vai aceitar bitcoin na compra e venda de imóveis na Argentina dentro da sua plataforma.

Tão forte foi o interesse dos investidores pessoas físicas pelos criptoativos, que até o mercado financeiro tradicional cedeu com a criação do 1º ETF de criptomoedas negociado na bolsa de valores, com uma exposição a seis moedas digitais.

O mundo dos investimentos está mudando e o dinheiro está cada vez mais descentralizado. Segundo Carol Souza, confundadora do projeto UseCripto, uma estratégia de investimento em criptomoedas deve ser sempre de longo prazo, superior a 5 anos para receber de fato resultados consistentes. “É a melhor alternativa de risco-retorno e valorização consistente”, explica.

No entanto, a escolha do criptoativo também é importante. Ela explica que existem mais de 9 mil criptomoedas no mundo, e nem todas representam investimentos seguros por terem sido lançadas e logo abandonadas por seus desenvolvedores.

Em um universo no qual ainda muitas criptomoedas são um mistério para o investidor, preparamos um guia das maiores criptomoedas, segundo sua capitalização de mercado.

De acordo com dados do CoinMarketCap, as sete maiores criptomoedas do mundo são: bitcoin, ethereum, binance coin, XRP, theter, cardano e dogecoin. Sua capitalização de mercado varia de cerca de R$ 5,73 trilhões a R$ 229,92 bilhões.

Confira no guia como cada uma das criptomoedas funciona:

Bitcoin (BTC)

O bitcoin é a maior criptomoeda e a mais popular, com uma capitalização de R$ 5,7 trilhões no final de abril, segundo dados da CoinMarketCap. A criptomoeda tem um criador misterioso chamado Satoshi Nakamoto, que publicou em um grupo de mensagens eletrônicas um documento chamado “Bitcoin: A Peer-to-Peer Electronic Cash System”.

Nakamoto contribuiu com a rede blockchain (tecnologia usada na criação do bitcoin) até 2009, deixando-a forte e descentralizada, e depois desapareceu sem deixar rastro. “Ele parou de mandar e-mails para a comunidade cripto, desligou seus computadores de mineração e sumiu”, comenta Carol, da UseCripto.

O bitcoin começou a rodar em 2009, revolucionando assim o mercado financeiro. A criptomoeda chegou a ser comparada a uma espécie de ouro digital, por três características: valor, escassez e por ser um ativo seguro.

Existe um número limitado de bitcoins, que são 21 milhões, mas ainda nem todos foram criados. O projeto prevê a criação deste total até o ano de 2140. Desde 2009, a cada ano, a emissão de novos bitcoins vai diminuindo. “A cada 4 anos, eram entregues 50 bitcoins e cada vez o número fica mais limitado por bloco”, diz.

É por esta oferta limitada que o bitcoin é considerado um ativo de escassez. E, por causa desta escassez, o bitcoin também é considerado um ativo valioso. Segundo o CoinMarketCap, no dia 30 de abril, 1 bitcoin custava R$ 308 mil (cerca de US$ 56,9).

Mas Carol esclarece que esse valor pode oscilar com facilidade, por ser um ativo muito volátil. Para quem não tem os R$ 308 mil na mão, também é possível comprar pequenas frações de um bitcoin, conhecidas como satochis. Um bitcoin (BTC) é equivalente a 100 milhões de satochis. E estes podem ser adquiridos em exchanges (corretoras de criptoativos) a partir de R$ 50.

O bitcoin também é considerado o novo ouro digital por sua segurança. Segundo Carol é muito difícil falsificar bitcoin, além de que não existe a possibilidade de eliminar a criptomoeda. “Mesmo que destruam os computadores, não tem como eliminar o bitcoin, por isso ele é conhecido como o ouro 2.0 e utilizado por muitos como ativo de proteção e reserva”, aponta

Segundo levantamento da UseCripto, desde sua criação em 2008 até o dia 29 de abril, o bitcoin valorizou 1.212.666% (mais de um milhão por cento).

Ethereum (ETH)

A plataforma Ethereum que tem como criptomoeda a ether, foi criada em 2013 pelo programador canadense Vitalik Buterin e entrou no ar em julho de 2015. É a segunda maior criptomoeda, com capitalização de mercado de R$ 1,74 trilhão (cerca de US$ 319,42 bilhões), segundo a CoinMarketCap.

A rede Ethereum surgiu com o objetivo de descentralizar ativos e ser mais rápida que o bitcoin. Por meio desta rede, é possível “tokenizar” ativos físicos, como uma casa, uma obra de arte. “O protocolo Ethereum criou os smart contract, que são semelhantes a contratos de propriedade”. diz.

Com a ideia de poder tokenizar tudo, 24 horas por dia e 7 vezes por semana, a rede viralizou, de obras de arte a projetos de finanças descentralizadas e recentemente a nova onda de NFTs (token não fungíveis) fazem parte desta comunidade.

“Diferentemente do bitcoin que se valoriza como ativo de proteção, a ethereum valoriza com a descentralização e a criação de novos tokens”, explica Carol.

No caso do ethereum, há um número infinito de tokens. Atualmente, o valor de 1 ether (ETH) é de R$ 15,108 mil (cerca de US$ 2779), segundo dados da CoinMarketCap.

Também é possível comprar a moeda fracionada. Segundo Carol, é um ativo de forte volatilidade, que pode oscilar mais de 20% em um único dia.

Segundo levantamento da UseCripto, desde sua criação até o dia 29 de abril, o ethereum valorizou 2600%.

Binance Coin (BNB)

Diferentemente do bitcoin e ethereum, que são criptomoedas mais descentralizadas, a binance coin (BNB) é um ativo centralizado porque foi criado por uma exchange chamada Binance e lançada ao mercado em julho de 2017.

Esta é a terceira maior criptomoeda no mundo, com capitalização de R$ 520,170 bilhões (cerca de US$ 94,2 bilhões), segundo o CoinMarketCap.

Criada com o objetivo de competir com a ethereum, a binance tem planos de lançar NFTs na blockchain e tokenizar ativos para competir com a outra rede.

Existe um número ilimitado de binance coin (BNB), embora ela explica que a cada tempo algumas moedas são destruídas, para tentar diminuir a inflação do ativo. Hoje existem somente 153 milhões de tokens BNB.

Até 30 de abril, o valor de 1 Binance Coin (BNB) era de R$ 3,404 (cerca de US$ 626), segundo a CoinMarketCap. A moeda também pode ser adquirida de forma fracionada.

Segundo levantamento da UseCripto, desde a sua criação em 2017 até o dia 29 de abril, a Binance Coin (BNB) valorizou 1.950%.

Ripple (XRP)

Criado pela empresa Ripple Labs em 2013, o protocolo ripple tem como criptomoeda a XRP é também segue um modelo centralizado.

É a quarta maior criptomoeda por capitalização de mercado, na ordem de R$391,4 bilhões (US$ 71,53 bilhões), segundo a CoinMarketCap.

No caso da ripple não existe mineração. Todos os tokens foram criados antes do lançamento. Já foram criados 100 bilhões de tokens, dos quais 20% ficaram com os fundadores.

Atualmente, 1 XRP tem o valor de apenas R$ 8,61 (US$ 1,58). Embora barata, a criptomoeda enfrenta diversas controvérsias. Uma delas é um processo que a Ripple Labs tem com a Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC). Segundo Carol, a briga envolve a possibilidade de a criptomoeda ser considerada uma ação, porque tem se valorizado com a evolução da empresa.

Recentemente, o grupo afirmou que estaria avaliando a possibilidade de fazer uma abertura de capital (IPO).

Quando criada, a ideia da ripple era funcionar como uma moeda digital interbancária, utilizada entre bancos privados e que poderia ser adotada pelos bancos centrais. Mas a ideia não vingou, o que somado ao processo do SEC pode ser negativo para a criptomoeda. “Na minha visão, não é uma criptomoeda na qual apostaria todas as minhas fichas, prefiro estruturas descentralizadas”, avalia Carol.

Segundo a UseCripto, desde sua criação em 2013 até o dia 29 de abril, a ripple (XRP) valorizou 370%.

Tether (USDT)

O tether (USDT), foi lançado em 2014, com o objetivo de ter paridade com o dólar dos Estados Unidos. Se trata de uma stablecoin (criptomoeda lastreada em uma moeda física).

A lógica é que, para cada 1 tether, exista 1 dólar guardado em caixa. Segundo dados da CoinMarketCap, a capitalização de mercado desta criptomoeda é R$ 277,06 bilhões (US$ 50,99 bilhões).

O valor de 1 theter sempre acompanha a cotação de 1 dólar, cotado em R$ 5,43 no dia 30 de abril.

Carol explica que por acompanhar o dólar, o ativo oscila menos que outras criptomoedas. No entanto, se o dólar cai, o theter também recua. Atualmente, existem mais de 51 bilhões de USDT em circulação.

Por ter paridade com uma moeda, sempre são necessárias auditorias na empresa para garantir que se tokenizem mais dólares dos que estão em caixa.

No passado, a theter e a exchange Biftinex ficaram envolvidas em algumas polêmicas, sobre o uso de fundos Tether para cobrir US$ 850 milhões faltantes.

Cardano (ADA)

A criptomoeda cardano, foi criada em 2017 por um dos fundadores do ethereum, Charles Hoskinson e começou a circular em 2020.

A cardano (ADA) tem uma capitalização de mercado de R$ 234,9 bilhões (US$ 43,37 bilhões), segundo a CoinMarketCap.

Carol explica que a proposta de criação desta criptomoeda era ter um ativo mais rápido que o ethereum, mas também com smart contract e aplicações descentralizadas na sua estrutura. No entanto, houve muita euforia com a criação do protocolo e expectativas do projeto.

Embora a quantidade de tokens seja infinita, atualmente há mais de 31 bilhões de tokens ADA circulando no mercado.

Diferentemente da ethereum, o valor do cardano (ADA) é muito baixo. É possível comprar 1 ADA com apenas R$ 7,32 (cerca de US$ 1,34), com dados de 30 de abril.

No entanto, Carol adverte que não pelo fato de um token ser barato é garantia de valorização no futuro. “As vezes se comprar frações pequenas de criptomoedas caras, estas valorizam mais do que uma moeda de Cardano”, aponta.

Segundo levantamento da UseCripto, desde sua criação em 2017 até o dia 29 de abril, a Cardano (ADA) valorizou 4139%.

Dogecoin (DOGE)

Na sétima posição está a dogecoin (DOGE), criada em 2013, como uma piada da internet, com o cãozinho Shiba Inu.

A Dogecoin tem capitalização de mercado de R$ 231,38 bilhões (US$ 41,14 bilhões), segundo a CoinMarketCap. O valor da moeda digital é bem baixo, de R$ 1,78 (0,32 centavos de dólar). Atualmente, há 129 bilhões de Dogecoin em circulação e novas moedas podem ser mineradas.

Segundo Carol, da UseCripto, a ideia era ser um meme de criptomoeda, embora esta possa ser comprada e negociada. “Não tem fundamentos, ninguém trabalha nela, mas ela representa o poder da internet para divulgar o projeto”, explica.

A meta de muitos grupos na internet é que a Dogecoin chegue a valer US$ 1.

No último ano, a Dogecoin ganhou popularidade com Elon Musk, CEO da Tesla, fazendo vários tuites sobre o ativo. Só em 2021, segundo dados da Bloomberg, a criptomoeda chegou a disparar 600%.

Além de Musk como principal fã da moeda, ela também é preferida em comunidades do Reddit, a rede social responsável pelo salto das ações da GameStop.

Esta euforia dos investidores teria preocupado Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, que acredita que a valorização de uma criptomoeda de um meme pode preceder uma bolha financeira. Alguns especialistas já alertam sobre o perigo desta tendência, que pode atrair investidores de olho na valorização rápida e o baixo preço da dogecoin.

Carol, da UseCripto, defende que o ativo tem mais um uso de especulação, mas adverte que, no longo prazo, não dá para brincar com os investimentos. “A moeda foi criada para ser um meme, e não tem um desenvolvedor ativo”.

Segundo levantamento da UseCripto, desde sua criação em 2013 até o dia 29 de abril, a Dogecoin (DOGE) valorizou 71.000%.