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IGP-M tem ‘boa chance’ de continuar desacelerando, diz economista

Embora os 35% acumulados em 12 meses ainda possam assustar consumidores e empresários, o Índice Geral de Preços ao Mercado (IGP-M) desacelerou em junho. E a expectativa é de que o indicador siga recuando até o final do ano, podendo inclusive terminar 2021 abaixo dos 23% de 2020. É o que acredita o economista André Braz, coordenador do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) do IBRE. 

Segundo dados divulgados nesta terça-feira (29) pela Fundação Getulio Vargas (FGV), o IGP-M passou a subir 0,6% em junho, depois de ter avançado 4,1% no mês anterior, uma vez que a queda do dólar sobre o real e o recuo dos preços em dólar de commodities importantes aliviaram a inflação no atacado.

“Essa desaceleração do IGP já mostra um pouco a influência de commodities. Milho, soja, minério de ferro já começam a ter redução de preços em dólar”, diz Braz, acrescentando que a recente valorização do real frente ao dólar “também ajuda a frear as tensões inflacionárias em cima do índice de preços ao produtor”.

Braz afirma que há “boas chances” de o IGP-M continuar desacelerando a ponto de terminar o ano abaixo dos 23% registrados em 2020, “a depender do comportamento do câmbio, que parece favorável, e do preço internacional de commodities, que é importante e parece também que vai desinflar um pouco ao longo dos próximos meses”, 

“Então, a expectativa é de desaceleração da inflação até o final do ano”, conclui o economista. 

Braz acredita também que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que superou 8% em 12 meses em maio, também vá fechar o ano abaixo desse patamar. No entanto, o consumidor pode esperar mais pressão de preços antes de constatar algum alívio.

“Ele vai desacelerar, sim. Não tanto quando a gente gostaria, com esse impacto agora da energia”, diz ele, projetando que o IPCA vá “acelerar em 8,5% ou 9% por conta do efeito da bandeira tarifária, depois fecha o ano em torno de 7%”.

“Se essa bandeira for suspensa antes do final do ano, é bem provável que a inflação termine em torno de 6,5% o ano de 2021. Mesmo assim, é um patamar alto porque está acima do teto estabelecido para a meta”, afirma Braz. A meta de inflação do Banco Central para este ano é de 3,75%, com teto de 5,25%.

Aluguel não acompanha inflação

Apesar de o IGP-M ser conhecido por reajustar contratos de aluguel, dados da FGV mostram que a variação dos valores não está acompanhando o índice. Em 12 meses, a variação dos preços do aluguel residencial é de menos de 4,5% – o que não chega perto dos 35% do IGP-M e não se aproxima sequer da variação de 8% do IPCA.

“O IGP-M é mais duro nas negociações de imóvel comercial. No imóvel residencial, as negociações são mais fáceis”, afirma Braz. 

“O inquilino aumentou seu poder de barganha porque a oferta de imóveis para alugar é grande e o proprietário quer o inquilino no imóvel. Ele não quer perder uma fonte de renda nesse momento e ainda ter mais despesas.”

“Isso tem facilitado muito acordos entre inquilinos e proprietários, fazendo com que a variação média do aluguel fique muito abaixo da variação do IGP-M”, aponta o economista.

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