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Investidores de economias emergentes se preocupam, diz pesquisa do HSBC

Os investidores em mercados emergentes estão cada vez mais preocupados com as perspectivas de crescimento econômico dos países em desenvolvimento e estão se apegando a altos níveis de caixa, com planos escassos de aplicar fundos nos próximos meses, revelou uma pesquisa do HSBC nesta quinta-feira (29).

A pesquisa trimestral mostrou que 60% dos entrevistados esperam que a atividade econômica nos países em desenvolvimento melhore nos próximos 12 meses, uma queda acentuada em relação às taxas de 73% em abril e 89% na virada do ano.

Essas visões refletem as crescentes preocupações sobre a trajetória de crescimento das economias emergentes. Na terça-feira (27), o Fundo Monetário Internacional (FMI) cortou sua previsão de crescimento em 2021 para as economias emergentes em 0,4 ponto percentual, a 6,3%, citando o lento progresso da vacinação contra a covid-19, enquanto seus pares desenvolvidos desfrutaram de uma melhora nas projeções.

Ainda assim, os entrevistados esperam que os bancos centrais de muitos mercados emergentes continuem a aumentar suas taxas de juros.

“O sentimento entre os investidores é de que, embora a perspectiva de crescimento seja mais fraca e a inflação menos preocupante do que no início do ano, os países emergentes continuarão a aumentar os juros, porque estão tentando se adiantar em relação ao aperto do Fed e evitar uma repetição do ‘taper tatrum’ que vimos em 2013-2014”, disse Murat Ulgen, chefe global de pesquisa de mercados emergentes no HSBC.

Os bancos centrais do Brasil, Rússia, Hungria e México, entre outros, já aumentaram os custos dos empréstimos este ano para conter as pressões inflacionárias e a desvalorização cambial.

Os consultados citaram o aumento dos juros norte-americanos e a redução da compra de títulos do Federal Reserve como o maior risco para os mercados emergentes, superando a covid-19 ou a inflação mais alta do que o esperado.

O HSBC conduziu a pesquisa entre 8 de junho e 23 de julho, questionando 124 investidores de 119 instituições, que representam US$ 506 bilhões em ativos de mercados emergentes sob gestão.

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