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IPO da Raízen: reserva de ações encerra segunda; veja prós e contras da oferta

A contagem regressiva começou: a reserva de ações para participar do IPO (oferta pública inicial de ações) da Raízen, uma das maiores produtoras de etanol e açúcar do mundo, conclui nesta segunda-feira (2).

A companhia, fruto de uma joint venture entre a Shell e a Cosan (CSAN3), vem a mercado para levantar R$ 6,7 bilhões e já é considerada o maior IPO de 2021. A Raízen estreia na bolsa brasileira no dia 5 de agosto, com o ticker RAIZ4.

Os papéis da companhia serão listados no segmento Nível 2 de Governança.

Sobre a oferta

A oferta da Raízen será 100% primária, isso significa que todos os recursos levantados no IPO serão destinados para o caixa da própria companhia.

A companhia deve emitir 811 milhões de ações preferenciais, com a possibilidade de ter um lote adicional de 162,2 milhões de ações (que representaria 20% da oferta) e um lote suplementar de 121,6 milhões de ações (correspondente a 15% da oferta).

A faixa indicativa de preço varia de R$ 7,40 até R$ 9,60. O preço das ações será fixado no dia 3 de agosto.

Se considerado o ponto médio da faixa, de R$ 8,50, a Raízen pode levantar R$ 6,74 bilhões. Em caso de possíveis ofertas suplementares, a companhia pode movimentar até R$ 10,5 bilhões.

Segundo levantamento da casa de análise Eleven Financial, com dados do prospecto, a distribuição dos R$ 6,74 bilhões do IPO deve ocorrer da seguinte forma:

  • 80% serão destinados para a construção de novas plantas com o objetivo de expandir a produção de produtos renováveis e fortalecer a comercialização da companhia. O valor estimado é de R$ 5,4 bilhões.
  • 15% vai para investimentos em infraestrutura de armazenagem e logística, com foco no crescimento do volume comercializado em renováveis e açúcar. O valor estimado é de R$ 1 bilhão.
  • 5% serão destinados a investimentos em eficiência e produtividade nos parques de bioenergia. O valor estimado é de R$ 0,3 bilhões.

Após a oferta pública inicial, sem considerar lotes adicionais ou suplementares, a Raízen terá um free float (percentual de ações emitidas em circulação) de 8,2%, disponíveis para qualquer investidor comprar.

Contudo, segundo a Eleven Financial, este free float pode chegar a 10,7%, caso ocorrer lotes adicionais e suplementares.

Para participar da oferta, os investidores de varejo podem reservar o valor mínimo de R$ 3 mil e o máximo de R$ 1 milhão.

Já os Investidores Private, com cerca de R$ 10 milhões investidos, podem reservar ações da Raízen com um valor superior a R$ 1 milhão e um limite de R$ 10 milhões.

Um olhar da Raízen

Segundo relatório dos analistas Felipe Fernandes e Caio Ribeiro, da Flip Investimentos, a Raízen surgiu em junho de 2011, como um joint venture entre a Cosan e a Shell, ambas com participações de 50% na companhia.

O objetivo destes acionistas era construir uma estratégia de longo prazo para o mercado de biocombustíveis, energia renovável, marketing e serviços.

Atualmente, a Raízen atua na produção de açúcar e etanol, distribuição de combustíveis e geração de energia. A companhia é a principal fabricante de etanol de cana-de-açúcar do Brasil e a maior exportadora de cana no mercado internacional.

A Raízen é uma companhia completa em todas as etapas de produção, desde o cultivo da cana-de-açúcar, a fabricação de açúcar e etanol, até o transporte e distribuição de combustíveis.

Ela também faz exportações e trabalha com a distribuição para o varejo, por meio de postos e lojas de conveniência sob a marca da Shell, no Brasil e na Argentina.

Como está o setor da Raízen?

O analista Caio Ribeiro explica que a empresa está presente em diversos setores, com forte foco no ESG, atuando tanto na produção de açúcar como etanol.

Um deles é a distribuição de combustível, a Raízen é a segunda maior companhia do segmento no Brasil, ficando atrás apenas da BR Distribuidora.

Na área de geração de energia ou bioeletricidade, o analista explica que a Raízen tem 26 parques de bioenergia, destes 13 já vendem o excedente de energia para a rede comum.

Recentemente, a Raízen também começou a trabalhar no segmento de lojas de conveniência, um avenida de crescimento e diversificação para o futuro.

De acordo com a Flip Investimentos, o setor de produção de açúcar e etanol está em alta, acompanhando a força das commodities, um ciclo que ainda não teve fim. A companhia possui boa parte da sua receita dolarizada, o que a torna ainda mais lucrativa.

Ribeiro cita apenas como ponto de atenção para o setor, os preços elevados na distribuição de combustíveis, muito afetados pela regulação do governo e que já tiveram interferências políticas no passado. “Mas essa interferência pode contribuir com a Raízen, reduzindo tarifas para a empresa”, explica.

Vantagens de investir no IPO

Segundo a Levante Investimentos, existem três vantagens de investir no IPO da Raízen.

A primeira é o grande potencial de expansão do setor sucroalcooleiro para os próximos anos, puxado pelas novas tecnologias e inovação no processo produtivo e de diversificação de produtos da companhia.

Segundo a casa de análise, este crescimento será impulsionado pela recente aquisição da Biosev, que contribuirá com a receita e ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da Raízen em 2021.

Ainda entre os benefícios, a Levante cita as vantagens competitivas da companhia, trabalhando sob o guarda-chuva de duas marcas globalmente reconhecidas no mercado, Shell e Cosan.

A Raízen também conta com uma infraestrutura ampla em terminais logísticos, bio parques e estações de serviços. A companhia também se beneficia pela forte barreira de entrada de novos concorrentes no mercado de combustíveis.

A terceira vantagem da companhia seria a forte tendência ESG (Environmental, Social and Governance). A Raízen trabalha com altos índices de captura de carbono no país.

Para Felipe Fernandes, chefe de análise de Flip Investimentos, as principais vantagens de investir no IPO da Raízen seriam: ter na carteira a maior fabricante de etanol de cana-de-açúcar brasileira, além da maior exportadora individual de cana no mercado internacional.

O analista também destaca o ciclo completo da companhia na sua produção, que inicia com a plantação de cana e vai até a distribuição do combustível.

Fernandes acredita que o investidor de Raízen (RAIZ4) conseguirá diversificar a sua carteira com o ativo, com uma companhia que possui um ciclo completo de produção e acompanha a alta das commodities.

Segundo o analista, o IPO está com forte demanda, então quem reservar os ativos antes da estreia pode se beneficiar com a compra de ação a um preço menor do que o restante do mercado. “Muita gente vai acabar comprando Raízen no dia da estreia, bem acima do preço do IPO, então o período de reserva é uma boa chance de ganhar dinheiro no primeiro dia do pregão”, aponta.

Em relatório, o analista Felipe Ruppenthal da Eleven Financial enxerga como oportunidades na Raízen:

  • O foco da companhia em energias renováveis, com 80% dos recursos do IPO destinados para novas plantas e expansão da produção de etanol de segunda geração (E2G). Este tipo de combustível está atraindo consumidores do mundo todo e é negociado acima do valor do etanol convencional.
  • Empresa dominante do setor: com a aquisição da Biosev, a Raízen tem uma capacidade de moagem de cana-de-açúcar superior a players de Estados Unidos e China, além de ter a maior planta de biogás do mundo.
  • Diversificação entre renováveis e distribuição: além de ser um dos principais players de distribuição de combustível do país, a companhia está desenvolvendo novas tecnologias para oferecer produtos premium aos consumidores.

Desvantagens de investir no IPO

Para Flávio Conde, head de análise da Levante Investimentos, os principais riscos de investir na Raízen são: a queda no preço do açúcar que acabaria afetando o negócio. Ele explica que este segmento representa 26,6% do Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da Raízen.

Outro ponto de atenção seria uma eventual queda no preço do petróleo no mercado internacional, que afetaria o preço do etanol, este representa 33,3% do Ebitda da companhia.

A terceira desvantagem está relacionada ao valor da companhia no longo prazo, no qual existe um risco de execução de projetos e geração de resultados. “A maioria de empresas do setor também têm boa parte do valor da companhia no longo prazo e riscos de execução semelhantes”, defende.

Para Felipe Fernandes, da Flip, os pontos de atenção sobre a Raízen são a alavancagem, a companhia tem uma relação dívida líquida/ebitda de 2,1 vezes. “Isso pode melhorar após o IPO e com a capacidade de entrega da Biosev”, reforça.

Ainda entre os riscos, o analista cita a variação cambial, a Raízen é muito dependente do dólar e uma eventual desvalorização frente ao real impactaria nas operações da companhia.

A regulação brasileira para o setor também surge como empecilho, com alterações que possam afetar a companhia no curto prazo, segundo Fernandes.

Já a Eleven Financial destaca o risco setorial, com exposição as commodities e proteção via hedge por até três anos. Desta forma, tanto as receitas quanto as margens da companhia estariam sujeitas as mudanças no preço do açúcar, etanol e outros biocombustíveis. Além dos riscos climáticos e secas prolongadas que podem afetar a produção agrícola.

A concorrência no mercado de distribuição também é um ponto de atenção, os mercados brasileiro e argentino são bastante acirrados.

As três casas de análise recomendam a entrada no IPO da Raízen. Para a Flip Investimentos vale a pena entrar até o valor de R$ 9 por ação.

Já a Levante Investimentos acredita que o preço limite para participar da oferta pública inicial é de R$ 9,60, contudo eles destacam que a partir do preço médio da oferta de R$ 8,50 seria possível ter uma valorização de 38,4%.

A Eleven Financial considera a entrada no preço médio da faixa indicativa de R$ 8,50, que poderia entregar um upside de 14,1% com preço alvo de R$ 9,70.

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