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Itaú, Bradesco e PetroRio: Os balanços que movimentaram a semana

A semana foi marcada por mais uma leva de balanços financeiros reportados por companhias com forte relevância no Ibovespa, o principal indicador da B3, como Itaú, Bradesco, Embraer e CSN, dentre outras. Para Danielle Lopes, sócia da Nord Research, de forma geral os resultados do terceiro trimestre vieram positivos, mas ela pondera que o investidor deve entender o fundamento que levou a companhia a registrar uma performance melhor.

“Muitas vezes uma empresa registra aumento de 100% no lucro, na receita e no Ebitda, simplesmente porque teve uma base fraca de comparação. No passado praticamente não entregou resultados, foi super impactada pela pandemia e agora conseguiu minimante voltar a um patamar que já entregava antes. É preciso entender se houve um crescimento, de fato, ou uma recuperação”, explicou a especialista.

Dentre os destaques da semana, a sócia da Nord aponta os resultados reportados por Itaú e Bradesco que obtiveram forte alta no lucro. Enquanto o Itaú Unibanco (ITUB4) registrou lucro líquido recorrente de R$ 6,779 bilhões no terceiro trimestre, alta de 34,8% em relação ao mesmo período de 2020, o do Bradesco (BBDC3) cresceu 34,5%, para R$ 6,767 bilhões.

“Basicamente os bancos vieram em uma linha de continuar revertendo provisões e começar a surfar uma onda de consumo de crédito”, explicou.

Daniella lembrou que o Itaú registrou crescimento de 4% nas linhas de seguros e serviços ( o que inclui, por exemplo, conta corrente, maquinha de cartão, capitalização e investimentos, dentre outros) que são as mais rentáveis para o negócio, mas, por outro lado, já são segmentos altamente explorados pelo mercado. “Como você tem um mercado muito competitivo nessa parte de seguros e serviços, você vê os ‘bancões’ não conseguindo crescer na receita”, explicou.

Em relatório, os analistas da XP investimentos enfatizaram que o lucro líquido do Itaú ficou 8% acima das estimativas principalmente devido ao menor custo de crédito. Mas a equipe ponderou que, apesar do resultado financeiro positivo, a qualidade inferior dos resultados deve estar no radar dos investidores, já que “uma inadimplência futura potencialmente mais elevada pode pressionar as margens e o lucro”.

Na visão de Marcelo Telles, Daniel Vaz e Bruna Amorim, analistas do Credit Suisse, os resultados do Bradesco são “ligeiramente” positivos para as ações, considerando que o lucro por ação (EPS, na sigla em inglês) ficou 6% acima do previsto pelo banco, “apesar da contribuição muito menor da margem líquida com juros (NII), principalmente impulsionada por um resultado de seguro melhor do que o esperado (melhor desempenho operacional e financeiro, este último auxiliado por dinâmica favorável do IPCA / IGPM) e provisões abaixo do esperado”, explicou a equipe.

PetroRio

Danielle Lopes, da Nord, também mencionou o balanço de PetroRio (PRIO3) como um dos destaques da semana. A petroleira reverteu o prejuízo líquido de R$ 117,7 milhões registrado no terceiro trimestre do ano passado ao reportar lucro líquido de R$ 125,16 milhões no memo intervalo deste ano. Já a receita avançou 92%, para R$ 939,5 milhões, enquanto o Ebitda cresceu 138%, para R$ 562,4 milhões.

“A companhia tem 100% das receitas em dólar e vem reduzindo custos, o que fez o Ebitda ter forte crescimento”, explicou.

Em relatório, o sócio-fundador da Nord Research, Bruce Barbosa, cita como ponto de destaque a queda do lifting cost  (custo de extração do petróleo) para sua mínima histórica. Ele explica que, como a companhia não controla o preço do produto final, é importante para a companhia garantir um baixo custo de produção.

Ainda de acordo com o Bruce, a companhia aproveitou o valor disponível em caixa para pagar uma parcela relevante pela compra do campo Wahoo.

Na mesma linha, os analistas Regis Cardoso e Marcelo Gumiero, do Credit Suisse, afirmaram que a companhia superou as estimativas de Ebitda do banco de investimento em 25%, “principalmente devido a custos de extração menores do que o esperado e preços do petróleo realizados acima do esperado durante o trimestre”.

Confira abaixo outros balanços divulgados durante a semana:

Cielo

A empresa de pagamentos Cielo (CIEL3) que teve lucro líquido de R$ 211,9 milhões no terceiro trimestre deste ano, um salto de 111,1% sobre um ano antes. O lucro antes de impostos, juros, depreciação e amortização (Ebitda) somou R$ 692,8 milhões, um salto de 44,3%.

Em relatório, Daniel Federle, analista do Credit Suisse, afirmou que os resultados da companhia foram bons nas duas divisões: Cielo Brasil e Cateno (que oferece soluções tecnológicas para a indústria de meios de pagamento). A receita líquida ficou 3,6% ao estimado pelo consenso, enquanto o Ebitda ficou 10,9% acima das projeções.

Anualizando o lucro líquido do terceiro trimestre, companhia está sendo negociada a um “baixo patamar”, segundo a equipe do banco, com o P/L, que mede a relação entre o preço atual das ações e o lucro por ação acumulado nos últimos 12 meses, de sete vezes.

Arezzo

A varejista Arezzo (ARRZ3)  reportou lucro líquido 177,4% maior no terceiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado, para R$ 77,5 milhões.

Em relatório, Danniela Eiger, analista da XP Investimentos, afirmou que a companhia apresentou resultados em linha com as estimativas, mas com lucro líquido superior devido a menores impostos. “Destacamos que todas as marcas apresentaram crescimento de vendas ante 2019, com destaque para a AR&Co (+85%), Schutz (+36%) e operação nos Estados Unidos (+73%). Quanto à rentabilidade, a margem bruta permaneceu forte, impulsionada pelo impacto positivo da AR&CO. no mix, uma maior participação do canal online e melhores margens nos EUA”, reiterou.

Rede D’Or

A Rede D’Or São Luiz (RDOR3) reportou lucro líquido de R$ 378,1 milhões no terceiro trimestre, crescimento de 8,2% ante o mesmo intervalo do ano passado. Já a receita líquida somou R$5,3 bilhões, alta de 39,4% na mesma análise de comparação.

Em relatório, Samuel Alves, Yan Cesquim e Pedro Lima, analistas do BTG Pactual, afirmaram que as receitas trimestrais e Ebitda da companhia ficaram em linha com as expectativas do banco de investimento, mas o lucro líquido foi pressionado por despesas financeiras líquidas mais altas. A companhia registrou um lucro 23,5% menor do que o previsto pelo banco de investimento, que era de R$ 494,6 milhões.

Ultrapar

 A Ultrapar (UGPA3) registrou lucro líquido de 374,4 milhões, uma alta de 35% ante o mesmo intervalo do ano passado, enquanto a receita líquida cresceu 54%, para R$ 31 bilhões.

Regis Cardoso e Marcelo Gumiero, analistas do Credit Suisse, afirmaram em relatório que a empresa teve resultados “decepcionantes”.

Os analistas explicaram que o Ebitda ajustado da companhia foi ajudado pela Oxiteno, que superou a previsão do Credit em 26%, enquanto o Ebitda da Ipiranga ficou 17% abaixo das estimativas. “Outro destaque negativo do trimestre foi a queima de caixa da Ultrapar. A dívida líquida aumentou de R$ 0,7 bilhão para R$ 10,6 bilhões na variação trimestral. E a dívida líquida sobre o Ebitda cresceu para 2,9 vezes (ante 2,6 vezes no trimestre anterior)”, reiterou a equipe do Credit.

A companhia também reduziu a projeção de resultado operacional em 2021. A projeção para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês), que ia de R$ 3,8 bilhões a R$ 4,65 bilhões, em 2021, passou para R$ 3,75 bilhões a R$ 4,13 bilhões. Já a expectativa de Ebitda da Ipiranga, que ia de R$ 2,1 bilhões a R$ 2,5 bilhões, passou para um intervalo entre R$ 1,8 bilhão e R$ 2 bilhões.

CSN

A CSN (CSNA3) registrou lucro líquido de R$ 1,325 bilhão no terceiro trimestre, crescimento de 5% frente ao mesmo período do ano passado. Já a receita líquida de vendas chegou a R$ 10,24 bilhões, alta de 17,5% frente ao mesmo intervalo do ano passado.

Em relatório, Leonardo Correa e Caio Greiner, analistas do BTG Pactual, disseram que a companhia reportou um conjunto “fraco” de resultados impactado por resultados ruins em sua divisão de mineração.

O Ebitda da CSN ficou em R$ 4,29 bilhões (20% baixo do esperado pelo banco), enquanto a divisão de mineração reportou R$ 911 milhões (61% inferior ao estimado). A equipe do BTG mencionou a realização do preço médio do minério de ferro, que veio 32% abaixo de projeção, como o principal motivo para o resultado fraco.

Embraer

A fabricante de aeronaves Embraer (EMBR3) registrou um prejuízo líquido de R$ 234,2 milhões no terceiro trimestre, reduzindo perdas em relação ao mesmo período do ano passado, quando o indicador foi negativo em R$ 797,5 milhões. No critério ajustado, as perdas foram de R$ 179,7 milhões no período.

Noah Poponak, Gavin Parsons e Anthony Valentini, analista do Goldman Sachs, reiteraram em relatório que a companhia elevou a previsão de fluxo de caixa para 2021, à medida que continua a melhorar sua cadência. A receita, por sua vez, ficou abaixo do consenso no terceiro trimestre, enquanto o Ebitda, as margens e fluxo de caixa livre ficaram acima. A equipe também ponderou que as reservas de novos pedidos foram fortes no trimestre.

JHSF

A empresa de imóveis de alto padrão JHSF (JHSF3) anunciou lucro líquido de R$ 213,8 milhões no terceiro trimestre, alta de 23,1% ante o mesmo período do ano passado. A receita líquida da JHSF somou R$ 476,3 milhões no trimestre, avanço de 35% no comparativo anual.

Em relatório, Renan Manda e Ygor Altero, analistas da XP Investimentos, avaliaram que a companhia apresentou resultados melhores do que o esperado, superando as estimativas de ponta a ponta. A equipe reiterou que o desempenho foi explicado pelo forte reconhecimento de receita no segmento de desenvolvimento, impulsionado pelo sólido desempenho de vendas de R$ 1,2 bilhão nos noves meses de 2021, um aumento de 46% no comparativo anual. “Além disso, o segmento de shoppings apresentou desempenho operacional robusto, com vendas de locatários e aluguel superando os números de 2019. Assim, esperamos uma reação positiva do mercado e reiteramos nosso rating de compra para a ação com preço-alvo de R$ 9,70”, afirmou a dupla.