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Via, Magalu, Natura e BrMalls: Os balanços que mexeram com o mercado na semana

A semana foi marcada por mais uma bateria de balanços financeiros reportados por grandes empresas, como Americanas, Magazine Luiza, Via, Natura, Locaweb, BrMalls, dentre outras.

Felipe Vella, analista técnico da Ativa Investimentos, afirmou que o destaque negativo da semana foi a Via (VIIA3), dona da bandeira Casas Bahia e do banco digital banQi, que registrou prejuízo líquido de R$ 638 milhões no terceiro trimestre, ante lucro líquido de R$ 590 milhões contabilizados no mesmo intervalo do ano passado. Já a receita líquida caiu 6% no comparativo anual, para R$ 7,34 bilhões.

Além disso, a empresa informou que identificou um aumento de 82% no número de processos trabalhistas no primeiro semestre deste ano, em relação ao mesmo intervalo do ano passado. Com isso, as provisões (despesas ainda não pagas) que somavam R$ 1,2 bilhão em junho deste ano subiram para R$ 2,5 bilhões em setembro. “Isso era inesperado pelos analistas e trouxe um choque de resultados bastante importante para a Via”, alertou Vella ao lembrar que o papel encerrou a semana em queda de 14,81%, entre as três principais baixas do Ibovespa.

Na sequência, o analista apontou o Magazine Luiza (MGLU3), a empresa informou na véspera que teve lucro ajustado de R$ 22,6 milhões no terceiro trimestre, queda de 89% ante os R$ 215,9 milhões reportados um ano antes. O desempenho ruim levou as ações da companhia a caírem 18,32% no pregão de ontem e 10,37% no acumulado da semana.

Irma Sgarz, Felipe Rached e Gustavo Fratini, analistas do Goldman Sachs também enfatizaram em relatórío que a companhia relatou um resultado “fraco” no terceiro trimestre. A margem Ebitda recorrente da companhia em 3,9% ficou abaixo do previsto pelo banco de investimento em 4,1%.

“Reconhecemos que alguns desses ventos contrários às margens devem se dissipar gradualmente nos próximos trimestres, uma vez que o terceiro trimestre de 2021 sofreu uma combinação formidável de pressões do lado da oferta e da demanda, com forças competitivas e investimentos em iniciativas de crescimento futuro. No entanto, como a trajetória dessa recuperação de margem permanece incerta, esperamos que o mercado reaja negativamente aos resultados”, disse a equipe.

O analista da Ativa também incluiu na lista a Natura & Co (NTCO3), que encerrou o pregão de ontem com um recuo de 17,54%. A empresa divulgou lucro líquido de R$ 272,9 milhões para o terceiro trimestre, queda de 28,5% sobre o resultado de um ano antes.

“O destaque negativo vem pelo fato de que a companhia quer fechar seu capital na B3, para se listar no mercado americano, já que mais de 70% da sua receita vem da fora do Brasil, o que faria sentido manter manter a listagem em Nova York”.

Na visão da XP Investimentos, a Natura reportou resultados fracos no período frente à desafios de faturamento e dinâmica de margens. As vendas líquidas consolidadas (excluindo o efeito do incidente cibernético no terceiro trimestre do ano passado) caíram 4% no comparativo anual, principalmente pela forte base de comparações e o ambiente macro desafiador.

“No entanto, o destaque negativo foi a lucratividade, com as sinergias de Avon sendo ofuscadas por pressões de custo/câmbio e menor diluição de SG&A ( despesas com vendas, gerais e administrativas). O lucro líquido veio acima das nossas estimativas, explicado por menores despesas financeiras, dado que a empresa fixou o câmbio do trimestre (hedge cambial), enquanto o consumo de caixa atingiu R$ 673 milhões por causa de compras de estoques e maiores investimentos”, disseram os analistas.

Alexsandro Nishimura, economista, head de conteúdo e sócio da BRA, complementou que as três maiores baixas da semana do Ibovespa refletiram a reação do mercado aos resultados trimestrais, como foi o caso da Locaweb (LWSA3) que encerrou a semana em queda de 13,38%. A empresa reportou lucro líquido ajustado de R$ 25,6 milhões, quase o dobro do resultado registrado um ano antes, com forte crescimento da receita, enquanto aquisições pressionaram as margens da empresa especializada em hospedagem de sites e computação em nuvem. “A Locaweb até apresentou números considerados sólidos, mas o Ebitda decepcionou”, explicou.

Destaques positivos

Entre os balanços positivos está a BRMalls (BRML3), que encerrou a semana em alta de 9,5% dentre as três principais altas do Ibovespa. A companhia registrou um avanço de 47,6% na receita líquida, para R$ 306,6 milhões, e lucro 631,7% maior, para R$ 57 milhões. “A BRMalls repercutiu resultados trimestrais considerados robustos pelo mercado, o que ajudou as ações da administradora de shoppings a registar a alta”, afirmou Alexsandro Nishimura da BRA.

Dentre outros resultados positivos, João Beck, também da BRA, afirmou que o varejo focado em classes mais altas se destacaram dentre as varejistas tradicionais, “já que tendem a ser mais resilientes em um ambiente macroeconômico ainda desafiador com menor crescimento econômico e maiores taxas de juros dificultando a retomada do consumo”, explicou.

O especialista mencionou ainda que empresas de tecnologia apresentaram resultados sólidos, ao se beneficiarem da continuação do crescimento do e-commerce, além do“atacarejo“ por ser um canal mais barato de compras.

Em entrevista ao Investnews, Daniella Eiger, head de varejo da XP Investimentos, afirmou que o Assaí é o papel preferido da casa de investimentos no segmento, que está mais “blindado” nesse momento desafiador e que, ao mesmo tempo, devem também se beneficiar da retomada da circulação das pessoas no pós-pandemia.

“Houve uma demanda maior dos supermercados na pandemia que agora vai ser normalizada com a volta ao consumo fora de casa, mas o atacarejo tem uma contraposição porque também atende o comércio”, explicou.

Embora as margens de Assaí e Atacadão tenham ficado próximas, a head de varejo da XP lembra que por ser menor, o Assaí tem mais espaço para uma expansão orgânica acelerada.

Confira outros balanços da semana:

Americanas

A Lojas Americanas (LAME3 LAME4) registrou lucro líquido de R$ 240,6 milhões, montante quase sete vezes maior ante os R$ 36 milhões reportados no mesmo período de 2020, quando se inclui na conta efeitos tributários na base de cálculo do PIS/Cofins.

Excluindo este efeito, o resultado recorrente da companhia na realidade foi um prejuízo de R$ 6 milhões. Analistas, em média, esperavam que a companhia tivesse prejuízo líquido de R$ 12,6 milhões entre julho e o fim de setembro, segundo dados da Refinitv apontados pela agência Reuters.

Danniela Eiger, Thiago Suedt e Gustavo Senday, analistas da XP Investimentos, ponderaram em relatório que a Americanas reportou resultados mistos, com o GMV (valor bruto de mercadorias) total subindo 24% no comparativo anual (acima de seus pares), puxado pelo crescimento de 30% do GMV online e da melhora da performance das lojas físicas.

Em relação à rentabilidade, a margem bruta veio em 31,4%, uma queda de 1,4 ponto percentual no comparativo anual, reflexo da maior participação do canal online, que representou 77% do GMV total, e 3,3 ponto percentual de avanço no comparativo anual.

“Já a margem Ebitda veio em 11,8% com a rentabilidade pressionada, queda de 2,5 ponto percentual (no comparativo anual), devido aos investimentos em nível de serviço e desenvolvimento de novas iniciativas. Com isso, o prejuízo líquido (excluindo-se os efeitos dos créditos fiscais) totalizou R$ 6 milhões enquanto a companhia apresentou uma queima de caixa de R$ 635 milhões, decorrente de um reforço nos estoques”, esclareceu a equipe.

Azul

A Azul (AZUL4) reportou  prejuízo de R$ 2,24 bilhões no terceiro trimestre, acima da perda de R$ 1,2 bilhão um ano antes, em resultado pressionado particularmente por despesas financeiras relacionadas a juros de empréstimos e aluguéis de aeronaves.

O resultado medido pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), no entanto, somou R$ 485,6 milhões entre julho e setembro, de R$ 198 milhões no mesmo período do ano passado, enquanto a receita líquida totalizou R$ 2,71 bilhões.

BRF

A processadora de frangos e suínos BRF (BRFS3) registrou prejuízo líquido no terceiro trimestre, citando a pressão inflacionária de preços dos alimentos e dos combustíveis que aumentaram os custos e dificultaram seu desempenho no geral. A empresa perdeu R$ 277,5 milhões no período, abaixo da média das projeções de analistas que previam ganho de R$ 105,25 milhões, de acordo com balanço financeiro.

Positivo Tecnologia 

A Positivo Tecnologia (POSI3) reportou alta de mais de 60% na receita bruta do terceiro trimestre, a R$ 979,4 milhões, montante que prevê superar nos últimos três meses do ano.

Braskem

A Braskem (BRKM5) teve lucro líquido de R$ 3,537, ante prejuízo de R$ 1,41 bilhão em igual etapa de 2020. Na quarta-feira, após o balanço,o papel encerrou o pregão em queda de 11,88%, a R$ 49,61, liderando as perdas do Ibovespa.

Rodrigo Crespi, especialista de mercado da Guide Investimentos, explicou que a queda no pregão foi “reflexo de um resultado inferior ao esperado pelo mercado”. “A receita líquida veio em linha com a estimativa, e aumento no trimestre de 7%. Só que, do lado operacional, veio 8% abaixo das projeções de mercado, e com uma queda de 18% no trimestre. Além disso, houve um encolhimento de margem de 8 pontos percentuais.”

Carrefour Brasil

O Carrefour Brasil (CRFB3) teve lucro líquido ajustado de R$ 621 milhões no terceiro trimestre, queda de 18% em relação a um ano antes. A companhia apurou lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado de R$ 1,48 bilhão para o período, crescimento de cerca de 11%.

Raia Drogasil

A RD (RADL3), dona das redes de farmácias Raia e Drogasil, teve lucro líquido ajustado de R$ 173,6 milhões no terceiro trimestre, número praticamente estável ante os R$ 172,9 milhões reportados um ano antes.

Na visão de Irma Sgarz, Felipe Rached e Gustavo Fratini, analistas do Goldman Sachs, a companhia apresentou um bom conjunto de resultados no período. As receitas líquidas ficaram 2% acima das previsões da casa e 1% acima do que previa o consenso. Já o Ebitda ajustado ficou 1% abaixo do calculado pelo consenso, mas 3% acima do projetado pelo Goldman.

“A leve pressão na margem anual reflete os investimentos que a RD está fazendo em equipes e tecnologia para executar sua digitalização e estratégia de ecossistema mais ampla, consistente com o que a administração comunicou anteriormente. A RD continuou a entregar ganhos de participação em todos os mercados e sua agenda de digitalização continua no caminho certo, com a penetração online aumentando sequencialmente (para acima de 9%)”, disse a equipe em relatório. A casa reiterou classificação de compra para os papéis da companhia e preço-alvo em R$ 33.

Petz

A Petz (PETZ3) teve lucro líquido de R$ 26,6 milhões no terceiro trimestre, alta de 56,1% ante o mesmo período de 2020.

Na visão da equipe de research da Levante os resultados da empresa vieram acima das expectativas nas principais linhas, com destaque para as vendas do digital, mantendo níveis de rentabilidade saudáveis apesar de um cenário macroeconômico mais adverso, com pressão inflacionária e aumento da competição.

“Os resultados da Petz reforçam o crescimento da companhia acima das expectativas, demonstrando a resiliência do setor pet e a capacidade da companhia em alavancar e aproveitar as oportunidades com eficiência. Dessa forma, esperamos um impacto positivo nas ações da Petz no curto prazo. A empresa continuou investindo para acelerar os ganhos de market share, considerando os níveis consistentes e saudáveis de retorno por loja e com a plataforma omnichannel se mostrando bastante escalável, mantendo níveis de serviços diferenciados e rentáveis, deixando a Petz mais confortável para continuar acelerando de forma sustentável a expansão de suas operações”, disse a equipe em relatório.

Yduqs

A companhia de educação Yduqs (YDUQ3) registrou lucro líquido ajustado de R$ 146 milhões no terceiro trimestre, queda de 24,9% sobre o mesmo período do ano passado.

O grupo, que tem entre as marcas o Ibmec, teve alta de cerca de 9% no lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação (Ebitda, na sigla em inglês), que somou R$ 361,3 milhões entre julho e o fim de setembro.

Larissa Pérez e Rafael Barros, analistas da XP Investimentos, afirmaram em relatório que a companhia reportou números ajustados acima do previsto. O lucro ajustado, por exemplo, ficou 78% acima das previsões da casa. “Nossa visão sobre os resultados é mista, todavia reiteramos nossa recomendação de compra para a ação, visto que vemos a empresa sendo negociada a um múltiplo P/L (preço sobre lucro) de 10,1 vezes para 2022, que consideramos baixo em comparação à média histórica da companhia (de 12,8 vezes nos últimos 36 meses)”, esclareceu a equipe.

BB Seguridade

BB Seguridade (BBSE3) reportou lucro líquido ajustado de R$ 975,8 milhões no terceiro trimestre, queda de 11% ante mesmo período de 2020.

Em relatório, Marcelo Telles, Daniel Vaz e Bruna Amorim, analistas do Credit Suisse, afirmaram que o lucro líquido da empresa ficou 4,3% acima do consenso e 6,5% de suas expectativas. “Os resultados foram positivamente impactados por uma maior contribuição nos lucros da BrasilSeg com sinistros abaixo do esperado, principalmente no rural, e da Brasilcap devido ao maior resultado financeiro além do hedge na carteira de investimentos pré-fixados”, disse a equipe.

Os analistas reiteraram ainda que a receita de corretagem da empresa cresceu 6% no comparativo anual e ficou 2,1% acima das estimativas do Credit. “Vemos os resultados sequenciais melhorando; prevemos resultados financeiros mais altos com taxas de juros mais altas e menor impacto dos efeitos de incompatibilidade IPCA / IGP-M e efeitos positivos nos resultados de subscrição conforme o ritmo de vacinação aumenta e as perdas relacionadas à covid diminuem gradualmente”, disse a equipe.

M.Dias Branco

A empresa de massas e biscoitos M. Dias Branco (MDIA3) reportou um lucro líquido do terceiro trimestre de R$ 196,6 milhões, resultado 25,9% menor que o registrado no mesmo período de 2020. As vendas da companhia também recuaram 18,3% no mesmo intervalo de comparação, para 456,4 mil toneladas de produtos.

Em relatório, Gustavo Troyano e Victor Gaspar, analistas do Itaú Unibanco, acrescentaram que os números reportados foram positivos. O lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado de R$ 288 milhões superou em 25% as expectativas do banco e do consenso de mercado.

“A surpresa positiva foi impulsionada principalmente pela estratégia de preços da empresa, que desencadeou uma expansão de margem, uma vez que os preços subiram mais rápido do que os custos. A margem Ebitda ajustada recuperou-se para o patamar de dois dígitos, atingindo 13,2% no trimestre, 230 pontos-base acima de nossa projeção”, informaram os analistas.